Pode ser visualizado aqui: Visão Económica 09.04.2024 (youtube.com)
Mostrar mensagens com a etiqueta Agrarian changes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agrarian changes. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 23 de abril de 2024
Alteração das taxas de bens de primeira necessidade - Debate na TPA Notícias 16.04.2024 (a partir do minuto 29)
Este debate pode ser visualizado aqui: Visão Económica 16.04.2024 (youtube.com) https://www.youtube.com/watch?v=nmxVaFycK_M
Etiquetas:
Agrarian changes,
desenvolvimento económico,
Economic Diversification Strategies,
industrialização,
Transformação estrutural
quarta-feira, 10 de maio de 2017
A Politica Cambial na Óptica do Presidente da República: O que ficou por ser dito?*
Ao lermos neste diário (online) um artigo
em que o Presidente da República (PR) nas vestes de Presidente do MPLA explicou
a razão da não “adopção de medidas cambiais e monetárias clássicas” nessa fase
de crise que Angola vive, achamos por bem reflectir, de uma forma breve e acessível,
o que ficou por ser dito.
Apesar de concordarmos, em parte, com o argumento
apresentado pelo PR não podemos deixar de assinalar que contrariamente ao que
foi dito as medidas apontadas poderão não estar a “atender melhor as necessidades
da população e da economia”, por quê?
O PR diz no seu pronunciamento, e aceitamos, que
desvalorizar a moeda iria “desacelerar o investimento privado indispensável à
diversificação sustentável da nossa economia”. Contudo, hoje é inegável que
existe uma desaceleração do investimento privado em Angola com particular
ênfase nas indústrias do sector
produtivo devido a vários factores, indicados pelos próprios empresários[1], a saber: (1) redução do investimento
público, (2) dificuldades de acesso a moeda estrangeira, (3) dívida do Estado e (4) agressiva medida
de cobrança de imposto por parte da AGT – Administração Geral Tributária. Todavia,
vale recordar, que o sector do comércio a retalho (formal) parece estar a
expandir-se atendendo aos recentes anúncios de abertura de novos estabelecimentos
das redes Shoprite, Candando e Kero (apenas para citar os de maior dimensão).
O que é que
isso nos indica? Apesar do discurso político apontar para “medidas concretas para o fomento
da produção nacional” o facto de não sabermos de que produtos e produtores se
tratam para um melhor acompanhamento e respectiva exigência de resultados
(afinal, como nos ensina a ciência de gestão, não se gere o que não se mede),
temos a assinalar que dos 10 produtos
mais importados, no 1º semestre de 2017, segundo dados do Conselho Nacional
de Carregadores (CNC), 7 produtos são do ramo alimentar e incluem o açúcar, óleo de palma, farinha de cereais e
massas alimentares. Saíram desta lista produtos como a Cerveja de malte. Precisamos
fomentar a produção alimentar.
Um processo de produção interna bem
articulado deveria permitir, tendo como base os dados do CNC, Angola mudar esse
quadro produzindo o que consome. Por outras palavras, da lista dos produtos mais importados o Executivo Angola
deveria elaborar um plano de acção para retirar dela os produtos alimentares.
Infelizmente este exercício não foi feito no Plano de Desenvolvimento
2012-2017. Num outro fórum indicamos que isso só seria possível caso o
Executivo adoptasse uma política industrial
selectiva[2]. Uma política industrial selectiva permitiria ao Executivo
intervir no processo de identificação, dentro do sector produtivo, primeiro
daquelas fileiras (a nível da agricultura e indústria) que se mostrassem
viáveis de a curto/médio prazo tornarem-se competitivas com forte potencial de
crescimento no que toca a criação de empregos (necessários para as economias em
transição), receitas e volumes também para exportação.
Dentro das fileiras com potencial de crescimento, teriam acesso ao crédito
apenas os empreendedores que assumissem o compromisso de atingirem metas
predefinidas (metas de emprego, receitas fiscais e volume de exportação).
Enfim, apesar de concordarmos que a política cambial
ajustasse ao actual contexto, a nossa breve análise parece indicar que as
medidas complementares, devido a
ausência de uma certa articulação dos planos (exemplo: tratar de produzir o que
mais se importa), não estão a ser tomadas e Angola poderá estar a produzir algo
que não vai ajudar a reduzir essas mesmas importações. Pelo que, hoje talvez
mais do que nunca, algumas das ‘velhas’ palavras de ordem como, disciplina, disciplina, disciplina, produção, produção, produção, deveriam nortear
as acções do Executivo Angolano.
*Uma versão foi publicada anteriormente como: Wanda, F. (2017) 'A Politica Cambial na Óptica do PR: O que ficou por ser dito? – Analise', NovoJornal (online) disponível: http://www.novojornal.co.ao/artigo/77162/a-politica-cambial-na-optica-do-pr-o-que-ficou-por-ser-dito-analise?seccao=NJ_Eco
domingo, 16 de agosto de 2015
Os Caminhos da Transformação Estrutural em Angola: Agricultura no perímetro irrigado de Caxito
Algum
tempo atrás ao lermos um dos jornais da nossa cidade, ficamos a saber que o Perímetro
Irrigado de Caxito arrecada anualmente 120 milhões de US Dólares (produzindo
essencialmente banana e hortícolas) e que está-se já a pensar em exportar parte
da produção de banana para o Congo Democrático.
Este
facto fez-nos recordar um outro caso semelhante que ocorre no Vale do São
Francisco no Nordeste do Brasil (Selwyn 2007). No Vale do S. Francisco criou-se
uma estrutura capaz de dar suporte aos produtores locais, através de formação contínua
em técnicas de produção e melhoramento da qualidade do que se produz,
tornando-os competitivos nos mercados externos.
O
exemplo de S. Francisco poderia ser levado em consideração nos vários perímetros
irrigados que o país tem estado a por em funcionamento. Nos dias de hoje, e no âmbito
da necessidade que Angola tem de diversificar as suas exportações, a entidade
gestora de um perímetro para além de disponibilizar água e luz eléctrica deve
auxiliar os produtores através de acções que permitam (1) identificação de
mercado interno e externo para os vários produtos cultivados no seu espaço, (2)
formação contínua dos produtores (e seus colaboradores) – introdução de novas técnicas
de produção com vista a aumentar-se a produtividade e reduzir-se os desperdícios,
(3) auxiliar os produtores a adequarem-se as exigências do mercado externo e
tornarem-se competitivos nesses mercados, (4) ter programas de gestão da
qualidade total do sistema produtivo e criar incentivos para que os mesmos sejam
adoptados pelos produtores, (5) incentivar investimentos adicionais que possam facilitar
o processo de exportação (e.g. investimento na produção de embalagens que
ajudem a preservar a qualidade do produto a ser exportado, transportação especializada).
Enfim,
para que os nossos perímetros irrigados possam começar a fazer a diferença, eles
devem disponibilizar algo mais do que água e luz eléctrica, devem disponibilizar
outros serviços e serem capazes de criar a sua volta um cluster que possa dar suporte as actividades dos produtores
residentes. Isso não acontece por acaso, carece de planeamento, investimento e aprendizado.
Quanto ao investimento adicional, ele não tem que ser necessariamente publico,
pode ser privado (nacional e/ou estrangeiro) ou uma combinação de ambos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Os Caminhos da Transformação Estrutural em Angola: Agricultura (2)
Na nossa reflexão anterior frisamos que o sector industrial em
Angola em muito poderia beneficiar caso o sector agrícola registasse um aumento
de produtividade significativo. Neste post,
nós vamos aproveitar um caso real para de uma forma simples ilustrarmos como o
estado poderia criar um cluster agro-industrial
com serviços complementares.
Ficamos a saber através de uma notícia divulgada num jornal
privado que alguns agricultores na província de Benguela (localidade do Dombe
Grande) reclamam por uma intervenção do estado uma vez que parte significativa
da sua produção de tomate está a se deteriorar devido a dificuldades no
processo de escoamento dos produtos. Bem, parece que os agricultores em
Benguela já estão a fazer a sua quota parte no que deveria ser o processo de
(re)industrialização de Angola.
Essa notícia por si só deveria servir de uma oportunidade para o
estado angolano mostrar ao país que está verdadeiramente comprometido com o
processo de diversificação da
economia. Para tal algumas medidas poderiam ser tomadas, fazendo uso dos já
existentes programas de apoio ao fomento empresarial (ex: Angola Investe). Para
tal, pensamos nós que o estado, enquanto coordenador
da actividade económica deveria mesmo desafiar
os empreendedores nacionais a apresentarem projectos que pudessem dar cobro
a esse problema real.
Em nosso entender os agentes privados poderiam propor projectos
como: a instalação de unidades fabris de transformação de tomate que mais tarde
poderiam servir para abastecer o mercado nacional e até para exportação ou
investimento numa rede de distribuição deste produto. Vale realçar que todos
esses projectos poderiam ser feitos de forma isolada por vários agentes
privados, para permitir a especialização dos mesmos, mas de forma coordenada e
interligada reduzindo desperdícios uma vez que este tipo de iniciativa exigiria
avultados recursos financeiros e know-how
em vários domínios.
Por outro lado, um projecto desta magnitude iria necessariamente
gerar a necessidade de serviços complementares, criando oportunidades para os
prestadores de serviços já existentes no mercado e/ou até o surgimento de
outros prestadores de serviços mais especializados para o sector em causa
(serviços virados para os agricultores e para os industriais).
Como se pode compreender do que já foi acima exposto, o papel do
estado neste tipo de projecto, em nosso entender, deixa de ser o de “Super estado faz tudo” e passa a ser o de criador das
condições necessárias através de, por exemplo, da construção de infra-estruturas
como estradas, disponibilização de terrenos com acesso a água e electricidade,
para que tais investimentos fossem viáveis e gerassem benefícios aos
proponentes, a comunidade local através de empregos directos e indirectos e ao
próprio estado através dos impostos (ex.: industrial, IRT).
Em suma, com este tipo de intervenção deixaríamos de ver os
nossos agricultores a reclamarem por uma intervenção directa do estado e como
resultado de uma problema real e actual estaríamos a criar um cluster
agro-industrial na região do Dombe Grande. Assim se faz/promove a tão
desejada transformação estrutural da economia do país.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
“A agricultura é a base e a indústria o factor decisivo”
Alguns
de nós crescemos a ouvir o slogan “A agricultura é a base e a indústria o
factor decisivo”. Tendo sido recentemente realizada a cimeira de chefes de
estado / governo africanos em que este assunto foi um dos temas principais, urge
reflectirmos um pouco sobre o mesmo tendo como pano de fundo a nossa realidade
angolana.
Começamos
por relembrar o que nos disse uma vez Jonathan Di John (Professor na SOAS,
Universidade de Londres) que a história do desenvolvimento dos agora países
desenvolvidos nos ensina que os mesmos atingiram este estágio por duas vias: 1º
houve um aumento da productividade agrícola – uma espécie de revolução agrária,
e 2º desenvolveram a indústria transformadora. Caso ainda haja dúvidas podemos
citar o caso mais recente dos países asiáticos em que destacamos a Coreia do
Sul e Taiwan, China e mais recentemente o Vietname (como exemplo de país que nos
dias de hoje está a enveredar pelo mesmo caminho).
A
luz desses exemplos urge perguntar “Porque razão, passados mais de 10 anos de
paz a nossa luz no fundo do túnel parece um tanto quanto pálida?” Tentei buscar
possíveis respostas para justificar a nossa letargia, a saber: 1º tivemos e
ainda estamos a resolver os problemas das minas terrestre fruto do longo
conflito armado; 2º estamos a criar infraestruturas de apoio como estradas,
pontes e canais de irrigação; 3º já criamos alguns institutos agrários – para
termos os nossos recursos humanos devidamente qualificados. No que toca a indústria
estamos a criar as Zonas Económicas Especiais (ZEE).
Apesar
de ter conseguido arranjar “desculpas”, pessoalmente não estou de todo
convencido que se tudo isso estiver arrumado, a situação vai ser diferente pelo
seguinte: Não existe um relatório actualizado que nos possa informar o que está
sendo feito com os terrenos já desminados. Sei que Angola utiliza apenas 5,7% dos
hectares disponíveis (de um total que acredito incluir os que ainda estejam
minados, ver o meu post de 21 de Julho
de 2013 neste blog). No que toca a
infraestruturas, a grande questão que se têm colocado é a qualidade das mesmas
(e a sua durabilidade), o que deixa-nos algumas reservas se tivermos em conta o
custo VS benefício dessas obras. Estamos todos conscientes da ausência de um plano bem estruturado com
vista a garantir aos recém-formados (nos institutos criados) uma rápida
inserção no mercado de trabalho. Por último tomamos conhecimento, recentemente,
que a administração de ZEE (Luanda-Bengo) estava a procurar atrair parceiros
(investidores nacionais e estrangeiros) para os detentores de espaços (i.e.
terrenos) naquela área. Apesar de uma notícia bastante interessante, não
deixamos de ficar incrédulos uma vez que sabiamos que as pessoas interessadas
só poderiam ter acesso a esses terrenos (que serão infraestruturados) caso
tivessem UM PROJECTO INDUSTRIAL.
Como
se pode compreender desta constatação, para que o nosso grande slogan “A agricultura
é a base e a indústria o factor decisivo” tome corpo vai ser preciso algo mais
do que remover minas terrestre, construir pontes e dar formação. Vamos ter que
mudar de mentalidade, sair da chamada mentalidade “rent-seeking” (i.e. busca de rendimento fácil e/ou facilitado) para
uma mais produtiva e empreendedora dando acesso a recursos e
bens, a quem deles venha realmente a fazer uso
multiplicador (gerando empregos, riqueza e pagando impostos).
Subscrever:
Mensagens (Atom)